{"id":3453,"date":"2025-02-15T14:40:07","date_gmt":"2025-02-15T14:40:07","guid":{"rendered":"https:\/\/nordestinospaulistanos.com\/?p=3453"},"modified":"2025-02-15T14:40:08","modified_gmt":"2025-02-15T14:40:08","slug":"valorizacao-das-paisagens-alimentares-impulsiona-turismo-sustentavel-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nordestinospaulistanos.com\/?p=3453","title":{"rendered":"Valoriza\u00e7\u00e3o das paisagens alimentares impulsiona turismo sustent\u00e1vel no Nordeste"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comunidades tradicionais de Alagoas, Pernambuco e Sergipe se reuniram esta semana, em Macei\u00f3, durante o workshop de governan\u00e7a tur\u00edstica sustent\u00e1vel do projeto Paisagens Alimentares, coordenado pela Embrapa Alimentos e Territ\u00f3rios, Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com foco no desenvolvimento do turismo de base comunit\u00e1ria, o projeto foi realizado a partir de 2022, buscando a valoriza\u00e7\u00e3o ambiental e social dos territ\u00f3rios selecionados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs paisagens alimentares s\u00e3o espa\u00e7os geogr\u00e1ficos que contam a hist\u00f3ria do territ\u00f3rio, do ponto de vista da integra\u00e7\u00e3o entre pessoas e saberes tradicionais, s\u00edmbolos e significados, que fazer parte dos patrim\u00f4nios cultural, agr\u00edcola, alimentar e ambiental\u201d, explica o coordenador do projeto de inova\u00e7\u00e3o social, Alu\u00edsio Goulart. Segundo ele, \u201cas paisagens alimentares evidenciam as fun\u00e7\u00f5es paisag\u00edsticas, ambientais e sociais da agricultura, que podem ser compartilhadas por meio do turismo sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a secret\u00e1ria-executiva da Secretaria Estadual de Turismo (Setur), Mar\u00edlia Herrmann, houve uma mudan\u00e7a no perfil do turista ap\u00f3s a pandemia, mais interessado em conhecer o modo de vida das pessoas visitadas. Ela destacou as a\u00e7\u00f5es do governo de Alagoas para apoiar as comunidades, incentivando o turismo gastron\u00f4mico e sustent\u00e1vel de base comunit\u00e1ria. \u201cEstamos fazendo um trabalho conjunto com as secretarias de Desenvolvimento e da Agricultura para inserir os produtos rurais e agr\u00edcolas nos hot\u00e9is e restaurantes e fomentar esse turismo de experi\u00eancia\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Manuela Louren\u00e7o, superintendente de Pol\u00edticas para a Igualdade Racial, da Secretaria Estadual da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), defende que \u00e9 importante refletir sobre os desafios na valoriza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Um deles \u00e9 a monocultura presente na regi\u00e3o, como a da cana-de-a\u00e7\u00facar, num contraste com a diversidade da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola apresentada pelas comunidades durante o evento. Ela ressaltou a necessidade de se ampliar as parcerias com o governo, a Embrapa e os povos tradicionais, para fortalecer esse processo de valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pela Embrapa, Jo\u00e3o Fl\u00e1vio Veloso Silva,&nbsp;chefe-geral da Embrapa Alimentos e Territ\u00f3rios, falou sobre o foco em valorizar a cultura alimentar, numa abordagem nova na hist\u00f3ria da Empresa. \u201cVoc\u00eas est\u00e3o nos ajudando a construir conceitos e refer\u00eancias que ser\u00e3o fundamentais para a atua\u00e7\u00e3o da Embrapa do futuro\u201d, enfatizou. Veloso ainda salientou a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o da Rede Territ\u00f3rios de Saberes e Sabores, criada pelas comunidades nordestinas em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Riquezas alimentares e culturais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Representantes dos territ\u00f3rios integrantes do projeto expuseram suas hist\u00f3rias e produtos. Anatalia Neta, Joaninha dos Santos e Vanessa dos Santos representaram os Povoados de Pontal, Pregui\u00e7a e Terra Ca\u00edda, em Indiaroba (SE). Vanessa falou com orgulho do of\u00edcio das catadoras de mangaba, Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial de Sergipe, e das pr\u00e1ticas ancestrais das marisqueiras, al\u00e9m das riquezas alimentares e culturais da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m abordou a variedade de produtos e receitas \u00e0 base de mangaba e de aratu, alimentos t\u00edpicos locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O territ\u00f3rio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o (SE) foi representado por Maria Reis, Simone de Souza, V\u00e2nia Fontes e Vera Maria Gomes. V\u00e2nia destacou a mandioca, o coco e o a\u00e7\u00facar como os principais ingredientes da cultura alimentar. Os biscoitos bricelets e as queijadas l\u00e1 produzidos tamb\u00e9m s\u00e3o patrim\u00f4nios imateriais sergipanos, reconhecidos pelo modo de fazer transmitido por gera\u00e7\u00f5es. As comunidades ainda se dedicam ao artesanato, com o reaproveitamento de materiais, contribuindo para a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As a\u00e7\u00f5es desenvolvidas no Assentamento Nova Esperan\u00e7a, em Olho d\u2019\u00c1gua do Casado (AL), foram ressaltadas por Ana Paula Ferreira. Entre elas, houve diversas oficinas de capacita\u00e7\u00e3o, como a de economia criativa, oferecida pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), que incentivou a produ\u00e7\u00e3o de artesanato com motivos rupestres. Os trabalhos de educa\u00e7\u00e3o ambiental e a cria\u00e7\u00e3o de mapas tem\u00e1ticos relativos \u00e0 biodiversidade da caatinga tamb\u00e9m foram apontados como exemplos de reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Salete Barbosa, da Cooperativa Mista de Produ\u00e7\u00e3o e Comercializa\u00e7\u00e3o Camponesa (Coopcam), em Palmeira dos \u00cdndios (AL), lembrou que as conversas com a Embrapa come\u00e7aram em 2018. Com consultorias do Sebrae e apoio de outras Unidades, como a Embrapa Semi\u00e1rido, os cooperados est\u00e3o aperfei\u00e7oando os processos de produ\u00e7\u00e3o, especialmente dos derivados de jabuticaba, e diversificando seus produtos. As capacita\u00e7\u00f5es os levaram a \u201cdescobrir muitas outras coisas no territ\u00f3rio\u201d, segundo ela. Com isso, os agricultores j\u00e1 est\u00e3o pensando em inovar os roteiros tur\u00edsticos, beneficiar novos produtos e expandir os trabalhos com sementes crioulas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Associa\u00e7\u00e3o das Marisqueiras de Sirinha\u00e9m (Amas), representada por C\u00edcero Silva, Eliane Silva e Viviane Wanderley,&nbsp;localiza-se na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Guadalupe, em Sirinha\u00e9m (PE). As marisqueiras s\u00e3o guardi\u00e3s dos saberes e fazeres tradicionais da pesca artesanal. L\u00e1 os turistas t\u00eam a oportunidade de vivenciar as experi\u00eancias de adentrar o manguezal para coleta de crust\u00e1ceos, especialmente o aratu, al\u00e9m de provar as del\u00edcias culin\u00e1rias preparadas por essas mulheres, como os t\u00edpicos caldinhos de aratu e sururu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m localizada na APA Guadalupe, a Associa\u00e7\u00e3o da Comunidade Quilombola do Engenho Siqueira (Acqes), reconhecida como Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial de Rio Formoso (PE), agora consegue ter mais acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas para alimenta\u00e7\u00e3o. A Acqes, representada por Amara Magaly da Silva, Cl\u00e1udio Page\u00fa e Rodney da Silva, est\u00e1 oferecendo alimentos agroecol\u00f3gicos para a merenda escolar, por meio do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA). Al\u00e9m disso, est\u00e1 conseguindo participar de editais de projetos voltados para o turismo de base comunit\u00e1ria. \u201cEssa parceria foi al\u00e9m do projeto; ela trouxe outros complementos que fortalecem ainda mais a nossa comunidade\u201d, disse Page\u00fa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sabores, Saberes e Governan\u00e7a Tur\u00edstica<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A programa\u00e7\u00e3o contou ainda com a palestra Conex\u00f5es entre Sabores, Saberes e os Territ\u00f3rios, proferida por Isabela Barbosa, professora da Uninassau. Turismo em Paisagens Alimentares foi o tema da apresenta\u00e7\u00e3o de Richard Alves, da empresa Lab Turismo, que atuou no projeto. Governan\u00e7a e a Rede Territ\u00f3rios dos Saberes e Sabores foram abordados pelo professor Carlos Costa, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), institui\u00e7\u00e3o parceira do projeto, e por Lydayanne Nobre, bolsista da Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o workshop, Alu\u00edsio Goulart tamb\u00e9m exp\u00f4s os pilares de um modelo de Governan\u00e7a Sustent\u00e1vel em Paisagens Alimentares. A superintendente de Infraestrutura Log\u00edstica para o Turismo da Setur de Alagoas, Sandra Villanova, apresentou as a\u00e7\u00f5es de Governan\u00e7a Tur\u00edstica em Alagoas. Os princ\u00edpios para a constru\u00e7\u00e3o de um Plano de Conserva\u00e7\u00e3o Din\u00e2mica das Paisagens Alimentares foram abordados pelo pesquisador da Embrapa Jo\u00e3o Roberto Correia. E os desafios para a Governan\u00e7a Tur\u00edstica foram tema da palestra do pesquisador Renato Manzini, atualmente na Embrapa Agroind\u00fastria Tropical, que desenvolveu uma abordagem metodol\u00f3gica sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na vis\u00e3o de Ricardo Elesb\u00e3o, chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inova\u00e7\u00e3o da Embrapa Alimentos e Territ\u00f3rios,&nbsp;os resultados obtidos s\u00e3o fruto de uma constru\u00e7\u00e3o coletiva, principalmente com a agrega\u00e7\u00e3o das comunidades e das empresas e institui\u00e7\u00f5es parceiras. Ele refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da continuidade dessas a\u00e7\u00f5es, lembrando que o desenvolvimento territorial tamb\u00e9m depende de pol\u00edticas p\u00fablicas e de uma atua\u00e7\u00e3o conjunta dos estados, munic\u00edpios e das comunidades envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reda\u00e7\u00e3o NordestinosPaulistanos <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por <strong>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Embrapa<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foto: Elias Rodrigues <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidades tradicionais de Alagoas, Pernambuco e Sergipe se reuniram esta semana, em Macei\u00f3, durante o workshop de governan\u00e7a tur\u00edstica sustent\u00e1vel do projeto Paisagens Alimentares, coordenado pela Embrapa Alimentos e Territ\u00f3rios, Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com foco no desenvolvimento do turismo de base comunit\u00e1ria, o projeto foi realizado a partir de 2022, buscando a valoriza\u00e7\u00e3o ambiental e social dos territ\u00f3rios selecionados. \u201cAs paisagens alimentares s\u00e3o espa\u00e7os geogr\u00e1ficos que contam a hist\u00f3ria do territ\u00f3rio, do ponto de vista da integra\u00e7\u00e3o entre pessoas e saberes tradicionais, s\u00edmbolos e significados, que fazer parte dos patrim\u00f4nios cultural, agr\u00edcola, alimentar e ambiental\u201d, explica o coordenador do projeto de inova\u00e7\u00e3o social, Alu\u00edsio Goulart. Segundo ele, \u201cas paisagens alimentares evidenciam as fun\u00e7\u00f5es paisag\u00edsticas, ambientais e sociais da agricultura, que podem ser compartilhadas por meio do turismo sustent\u00e1vel\u201d. Para a secret\u00e1ria-executiva da Secretaria Estadual de Turismo (Setur), Mar\u00edlia Herrmann, houve uma mudan\u00e7a no perfil do turista ap\u00f3s a pandemia, mais interessado em conhecer o modo de vida das pessoas visitadas. Ela destacou as a\u00e7\u00f5es do governo de Alagoas para apoiar as comunidades, incentivando o turismo gastron\u00f4mico e sustent\u00e1vel de base comunit\u00e1ria. \u201cEstamos fazendo um trabalho conjunto com as secretarias de Desenvolvimento e da Agricultura para inserir os produtos rurais e agr\u00edcolas nos hot\u00e9is e restaurantes e fomentar esse turismo de experi\u00eancia\u201d, afirmou. Manuela Louren\u00e7o, superintendente de Pol\u00edticas para a Igualdade Racial, da Secretaria Estadual da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), defende que \u00e9 importante refletir sobre os desafios na valoriza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Um deles \u00e9 a monocultura presente na regi\u00e3o, como a da cana-de-a\u00e7\u00facar, num contraste com a diversidade da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola apresentada pelas comunidades durante o evento. Ela ressaltou a necessidade de se ampliar as parcerias com o governo, a Embrapa e os povos tradicionais, para fortalecer esse processo de valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais. Sobre as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pela Embrapa, Jo\u00e3o Fl\u00e1vio Veloso Silva,&nbsp;chefe-geral da Embrapa Alimentos e Territ\u00f3rios, falou sobre o foco em valorizar a cultura alimentar, numa abordagem nova na hist\u00f3ria da Empresa. \u201cVoc\u00eas est\u00e3o nos ajudando a construir conceitos e refer\u00eancias que ser\u00e3o fundamentais para a atua\u00e7\u00e3o da Embrapa do futuro\u201d, enfatizou. Veloso ainda salientou a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o da Rede Territ\u00f3rios de Saberes e Sabores, criada pelas comunidades nordestinas em 2024. Riquezas alimentares e culturais Representantes dos territ\u00f3rios integrantes do projeto expuseram suas hist\u00f3rias e produtos. Anatalia Neta, Joaninha dos Santos e Vanessa dos Santos representaram os Povoados de Pontal, Pregui\u00e7a e Terra Ca\u00edda, em Indiaroba (SE). Vanessa falou com orgulho do of\u00edcio das catadoras de mangaba, Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial de Sergipe, e das pr\u00e1ticas ancestrais das marisqueiras, al\u00e9m das riquezas alimentares e culturais da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m abordou a variedade de produtos e receitas \u00e0 base de mangaba e de aratu, alimentos t\u00edpicos locais. O territ\u00f3rio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o (SE) foi representado por Maria Reis, Simone de Souza, V\u00e2nia Fontes e Vera Maria Gomes. V\u00e2nia destacou a mandioca, o coco e o a\u00e7\u00facar como os principais ingredientes da cultura alimentar. Os biscoitos bricelets e as queijadas l\u00e1 produzidos tamb\u00e9m s\u00e3o patrim\u00f4nios imateriais sergipanos, reconhecidos pelo modo de fazer transmitido por gera\u00e7\u00f5es. As comunidades ainda se dedicam ao artesanato, com o reaproveitamento de materiais, contribuindo para a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. As a\u00e7\u00f5es desenvolvidas no Assentamento Nova Esperan\u00e7a, em Olho d\u2019\u00c1gua do Casado (AL), foram ressaltadas por Ana Paula Ferreira. Entre elas, houve diversas oficinas de capacita\u00e7\u00e3o, como a de economia criativa, oferecida pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), que incentivou a produ\u00e7\u00e3o de artesanato com motivos rupestres. Os trabalhos de educa\u00e7\u00e3o ambiental e a cria\u00e7\u00e3o de mapas tem\u00e1ticos relativos \u00e0 biodiversidade da caatinga tamb\u00e9m foram apontados como exemplos de reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas tradicionais. Salete Barbosa, da Cooperativa Mista de Produ\u00e7\u00e3o e Comercializa\u00e7\u00e3o Camponesa (Coopcam), em Palmeira dos \u00cdndios (AL), lembrou que as conversas com a Embrapa come\u00e7aram em 2018. Com consultorias do Sebrae e apoio de outras Unidades, como a Embrapa Semi\u00e1rido, os cooperados est\u00e3o aperfei\u00e7oando os processos de produ\u00e7\u00e3o, especialmente dos derivados de jabuticaba, e diversificando seus produtos. As capacita\u00e7\u00f5es os levaram a \u201cdescobrir muitas outras coisas no territ\u00f3rio\u201d, segundo ela. Com isso, os agricultores j\u00e1 est\u00e3o pensando em inovar os roteiros tur\u00edsticos, beneficiar novos produtos e expandir os trabalhos com sementes crioulas. A Associa\u00e7\u00e3o das Marisqueiras de Sirinha\u00e9m (Amas), representada por C\u00edcero Silva, Eliane Silva e Viviane Wanderley,&nbsp;localiza-se na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Guadalupe, em Sirinha\u00e9m (PE). As marisqueiras s\u00e3o guardi\u00e3s dos saberes e fazeres tradicionais da pesca artesanal. L\u00e1 os turistas t\u00eam a oportunidade de vivenciar as experi\u00eancias de adentrar o manguezal para coleta de crust\u00e1ceos, especialmente o aratu, al\u00e9m de provar as del\u00edcias culin\u00e1rias preparadas por essas mulheres, como os t\u00edpicos caldinhos de aratu e sururu. Tamb\u00e9m localizada na APA Guadalupe, a Associa\u00e7\u00e3o da Comunidade Quilombola do Engenho Siqueira (Acqes), reconhecida como Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial de Rio Formoso (PE), agora consegue ter mais acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas para alimenta\u00e7\u00e3o. A Acqes, representada por Amara Magaly da Silva, Cl\u00e1udio Page\u00fa e Rodney da Silva, est\u00e1 oferecendo alimentos agroecol\u00f3gicos para a merenda escolar, por meio do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA). Al\u00e9m disso, est\u00e1 conseguindo participar de editais de projetos voltados para o turismo de base comunit\u00e1ria. \u201cEssa parceria foi al\u00e9m do projeto; ela trouxe outros complementos que fortalecem ainda mais a nossa comunidade\u201d, disse Page\u00fa. Sabores, Saberes e Governan\u00e7a Tur\u00edstica A programa\u00e7\u00e3o contou ainda com a palestra Conex\u00f5es entre Sabores, Saberes e os Territ\u00f3rios, proferida por Isabela Barbosa, professora da Uninassau. Turismo em Paisagens Alimentares foi o tema da apresenta\u00e7\u00e3o de Richard Alves, da empresa Lab Turismo, que atuou no projeto. Governan\u00e7a e a Rede Territ\u00f3rios dos Saberes e Sabores foram abordados pelo professor Carlos Costa, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), institui\u00e7\u00e3o parceira do projeto, e por Lydayanne Nobre, bolsista da Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). 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