A história do Trio Juazeiro é também a história da resistência e da força da cultura nordestina em São Paulo. Tudo começou em 1962, quando Ligeirinho, nascido em Santa Luz (BA), conheceu Guilherme, de Euclides da Cunha (BA). Unidos pela paixão pela música, eles formaram o primeiro grupo, o Trio Cajazeira, que acompanhava artistas nos regionais da capital paulista.
Guilherme trazia no sangue a herança musical de sua família: o pai tocava sanfona de oito baixos, e ele próprio passou pelo cavaquinho, pé de bode e finalmente pela sanfona, instrumento que se tornaria sua marca. Já Ligeirinho, além de músico, trabalhava em diversas funções até se tornar relações públicas do salão do Zé Bettio, figura central na cena do forró paulistano.
Pouco tempo depois, o destino trouxe Mocotó, alagoano de Rio Largo, que havia chegado a São Paulo com o grupo Os Cobras do Norte. Com o falecimento de Cajazeira, Ligeirinho e Guilherme convidaram Mocotó para integrar o trio. Foi então que nasceu oficialmente o Trio Juazeiro, nome escolhido quando assinaram contrato com a RCA para gravar o primeiro disco.
Em 1967, o trio estreou em grande estilo na coletânea Uma noite no forró, produzida por Mario Zan. As faixas “Vou de Tutano” e “Uma noite no forró” ganharam destaque e abriram caminho para uma carreira sólida. Vieram seis LPs entre as décadas de 70 e 90, incluindo clássicos como No balanço do forró, Orgulho de Nordestino e Pedaço de fulo. Cada disco reforçava a identidade nordestina e conquistava espaço na capital paulista.
O Trio Juazeiro se tornou referência: mais de 50 anos de estrada, sempre com a formação original — Ligeirinho na zabumba e vocal, Guilherme na sanfona e vocal, e Mocotó no triângulo e voz. Uma longevidade rara no universo do forró.
Em 2023, veio a perda irreparável: Mocotó nos deixou. Mas a história não parou. Eugênio assumiu o vocal, garantindo que o legado continue vivo. Hoje, o Trio Juazeiro segue firme, espalhando alegria, tradição e forró autêntico nos palcos paulistanos.
Mais que um grupo musical, o Trio Juazeiro é símbolo da presença nordestina em São Paulo, da força da cultura popular e da capacidade de transformar saudade em festa. Um show de história, muito forró e carisma!
Redação NordestinosPaulistanos – Leanderson Amorim
Foto Capa : Trio Juazeiro











